With Arms Wide Open – Creed | Cover Violão e Orquestra

Assista ao cover de “With Arms Wide Open” gravado no Estúdio SomBrio. Este vídeo é o conteúdo principal desta página.

Se tem uma música que atravessa gerações e toca lá no fundo da alma, essa música é “With Arms Wide Open”, do Creed. Pra mim, ela não é apenas um clássico do post-grunge; ela é parte da minha história como músico. Se você me acompanha aqui no Estúdio SomBrio, sabe que eu gosto de mergulhar fundo nos projetos, mas este cover teve um gosto especial de nostalgia e superação técnica. Decidi transformar essa balada poderosa em uma produção orquestral completa, com camadas e mais camadas de instrumentos e vozes, pra fazer justiça à grandiosidade da composição original.

Neste post, vou te contar como essa música entrou na minha vida lá no começo dos anos 2000, os desafios de aprender a tocar quando eu ainda era um menino de 11 anos e como, hoje, usei toda a tecnologia do meu estúdio pra criar uma versão que eu sempre sonhei em ouvir. Prepara o fone de ouvido, porque o papo hoje é sobre música, memória e produção em larga escala!

A Nostalgia de 2002: Malhação, Pedro e Júlia

Minha jornada com o violão começou em 2000, quando eu tinha apenas 11 anos. Eu estava naquela fase de descobrir o instrumento, tentando tirar os primeiros acordes e entender como aquela caixa de madeira funcionava. Dois anos depois, em 2002, o Brasil inteiro estava vidrado na nona temporada da Malhação. Quem viveu aquela época lembra bem do casal Pedro e Júlia (interpretados pelo Henri Castelli e pela Juliana Silveira). E qual era a música tema deles? Exatamente: “With Arms Wide Open”.

Naquela época, a música tocava em todo lugar. Eu fiquei fascinado pela melodia e pela força da voz do Scott Stapp. Como eu não fazia aula de música e aprendia tudo “de ouvido” e na raça, foram meses de tentativa e erro. Eu tentava copiar as posições das mãos que via nos clipes e nas revistas de cifra, mas demorei um bom tempo pra conseguir tocar e cantar de forma aceitável. Não era a forma correta tecnicamente, mas era a minha forma de me conectar com a música que eu amava. Olhar pra trás e ver esse progresso é o que me motiva a continuar produzindo hoje em dia.

Por que Escolhi esse Cover Agora?

“With Arms Wide Open” está, sem dúvida, na minha lista de músicas preferidas da vida. Ela tem um significado profundo sobre paternidade, aceitação e novos começos — Scott Stapp a escreveu quando soube que seria pai pela primeira vez. Mesmo que você não seja pai, a mensagem de receber o mundo de braços abertos é universal.

Resolvi fazer esse cover agora porque senti que tinha a maturidade técnica e as ferramentas necessárias pra entregar algo além de um simples “voz e violão”. Eu queria ouvir aquela parede sonora, o peso da orquestra e a harmonia das vozes de apoio que sempre imaginei enquanto tocava sozinho no meu quarto 20 anos atrás. É uma forma de homenagear o Dudlei de 11 anos que persistiu no violão até aprender essa música.

O Desafio da Produção Orquestral Completa

Diferente de outros covers onde usei gaita ou arranjos mais enxutos, na “With Arms Wide Open” eu quis deixar mais completa, lembrando a versão lançada com um arranjo de orquestra. A ideia era criar uma experiência cinematográfica. Pra isso, montei uma orquestra virtual completa e trabalhei bastante, inclusive nas harmonias vocais. Vamos detalhar essa montagem pra você entender o tamanho da brincadeira.

A Estrutura da Orquestra

Pra dar o peso e a elegância que a música pede, eu não economizei nos instrumentos virtuais. Usei o Spitfire Audio BBC Symphony Orchestra pra mapear cada seção:

  • Cordas: Usei 4 violinos e 2 cellos. As cordas são o coração da emoção aqui, fazendo as passagens crescentes que levam pro refrão.
  • Metais e Sopros: Adicionei trompete, trombone, flauta e clarinete. Os metais trazem o brilho e a autoridade nos momentos de pico, enquanto a flauta e o clarinete dão uma textura mais suave nas estrofes.
  • Percussão Erudita: Xilofone, pratos e, claro, os tímpanos. O tímpano é essencial pra dar aquele impacto dramático nas viradas, algo que o rock do Creed sempre explorou muito bem.

O Piano e a Base Harmônica

O piano, usando o plugin Hammersmith Free, serviu como o elo entre o rock e a orquestra. Ele traz uma clareza harmônica que o violão, por mais rico que seja, às vezes não consegue preencher sozinho em um arranjo tão denso. O piano guia o ouvinte pelas mudanças de acordes, criando uma base sólida pra voz brilhar.

As Vozes: O Poder do Coro

Além da voz principal, gravei 4 vozes de apoio. A ideia não era apenas dobrar a voz, mas criar harmonias que remetessem a um coro de igreja ou a uma produção maior. Isso dá uma profundidade absurda pro refrão, fazendo com que o “With arms wide open” soe realmente como um chamado poderoso.

Equipamentos e Software: O Fluxo de Trabalho Híbrido

Pra gerenciar um projeto dessa magnitude, eu usei o melhor de dois mundos no que diz respeito a software. Muita gente me pergunta por que eu uso mais de uma DAW, e esse projeto é o exemplo perfeito do porquê.

Logic Pro X: O Cérebro Criativo e MIDI

Eu usei o Logic Pro X pra criar todas as linhas da orquestra da “With Arms Wide Open”. Eu gosto muito mais de trabalhar com MIDI dentro do Logic; as ferramentas de edição e a forma como ele lida com os instrumentos virtuais são muito intuitivas pra mim. Foi aqui que escrevi as partes dos violinos, metais e toda a percussão erudita, garantindo que cada articulação soasse o mais natural possível.

Pro Tools: O Coração da Mixagem e Masterização

Depois que a parte criativa e as trilhas MIDI estavam prontas, eu levei tudo pro Pro Tools. É nele que eu faço todo o processamento pesado: crio as mandadas, organizo os grupos e faço a mixagem e masterização final. O Pro Tools é o padrão da indústria por um motivo, e a precisão que ele oferece pra lidar com o áudio final é imbatível. É onde eu realmente “esculpo” o som pra que ele fique profissional.

Captação e Monitoramento

  • Voz Principal e Apoios (Audio-Technica AT4040): Usei o AT4040 pra todas as vozes. Ele tem uma resposta de frequência muito honesta, o que facilitou na hora de empilhar as 5 camadas de voz sem criar frequências que brigariam entre si.
  • Violão (Taylor 210e DLX): Mesmo com toda a orquestra, o violão Taylor continua sendo a base rítmica. Captei com os AKG C430 em estéreo pra manter a largura do som.
  • Interface (Presonus StudioLive 16.4.2 AI): Com tantos instrumentos virtuais e canais de áudio, a estabilidade da Presonus foi fundamental pra manter a performance fluida durante as gravações.
  • Monitoramento (Xtreme Ears In-Ear): Pra gravar as harmonias vocais, eu precisava ouvir cada intervalo com precisão. Os fones da Xtreme Ears são meus braços direitos nessas horas.

Plugins e Processamento Final

Na hora de dar o polimento final da “With Arms Wide Open”, usei uma combinação poderosa de ferramentas. Usei diversos plugins da Waves e da IK Multimedia pra moldar a dinâmica e a cor de cada instrumento. Não vou entrar em detalhes de cada plugin específico, mas o importante é saber que eles foram essenciais pra criar o espaço sonoro, controlar os picos e garantir que a mixagem soasse coesa e impactante.

O Processo de Aprendizado: Do Amador ao Profissional

Sabe o que é mais louco? Em 2002, eu sofria pra fazer o acorde de Fá maior e pra coordenar a batida do violão com o canto. Hoje, eu consigo sentar no estúdio e orquestrar trompetes e trombones pra essa mesma música. Isso mostra que a produção musical é uma jornada contínua. Não importa onde você está hoje, se você continuar praticando e explorando novas ferramentas, o seu “eu” do futuro vai ficar impressionado com o que você é capaz de criar.

Este cover de “With Arms Wide Open” é um marco pra mim. Ele representa a união da minha memória afetiva com a minha capacidade técnica atual. É o tipo de projeto que me faz lembrar por que eu escolhi viver de música.

A Produção Visual

Pra acompanhar esse áudio épico, o vídeo precisava ter uma estética limpa e focada na performance. Usei meu fiel iPad Air 5ª Geração pra captação. A edição no Final Cut Pro focou em mostrar as diferentes camadas: o momento das cordas, a entrada dos metais e as sobreposições das vozes de apoio. É um visual que complementa a grandiosidade sonora sem distrair o ouvinte.

Perguntas Frequentes sobre o Cover de With Arms Wide Open

Tem alguma dúvida sobre como montei esse arranjo da “With Arms Wide Open”? Separei as perguntas que mais recebo sobre esse tipo de produção orquestral.

Como você conseguiu fazer uma orquestra completa sozinho?

Eu utilizo instrumentos virtuais de alta fidelidade, como o Spitfire Audio BBC Symphony Orchestra. Eu escrevo as partes de cada instrumento no Logic Pro X e depois levo tudo pro Pro Tools pra mixar.

Por que usar o Logic Pro X e o Pro Tools no mesmo projeto?

Eu prefiro o Logic Pro X para trabalhar com MIDI e criação orquestral por ser mais intuitivo nessa parte. Já o Pro Tools é a minha escolha para mixagem, processamento de áudio e masterização, pela precisão e fluxo de trabalho profissional que ele oferece.

É verdade que essa música foi tema da Malhação?

Sim! Em 2002, ela foi o tema internacional do casal Pedro e Júlia na nona temporada da novela Malhação. Foi nessa época que eu, com 12/13 anos, comecei a tentar tirar ela no violão.

Quais plugins você usou para a mixagem final?

Usei uma combinação de plugins da Waves e da IK Multimedia dentro do Pro Tools para processar as trilhas, criar as mandadas e fazer o polimento final da mixagem e masterização.

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