Se existe uma voz que define a última década na música pop, essa voz é a da Adele. E entre todos os sucessos dela, “Set Fire to the Rain” sempre teve um lugar especial pra mim. Mesmo que eu não seja o maior ouvinte assíduo de toda a discografia dela, essa música tem algo que me prende do início ao fim toda vez que toca. Por isso, decidi trazer essa força emocional pro Estúdio SomBrio e criar uma versão orquestral que fizesse jus à intensidade da composição original.
Neste post, vou te contar como essa música entrou na minha vida através da minha irmã, Luiza, os desafios técnicos de adaptar uma música feita pra uma voz feminina tão poderosa quanto a da Adele pra minha própria voz, e como usei uma orquestra completa pra dar uma nova roupagem a esse clássico. Se você gosta de entender como a gente adapta grandes sucessos e como funciona a cozinha de um estúdio profissional, senta aí que o papo hoje é técnico e emocional ao mesmo tempo!
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ToggleA Influência de Casa: Minha Irmã Luiza e a Descoberta
Muitas vezes, a música chega até a gente por osmose, né? No caso de “Set Fire to the Rain“, a culpada foi a minha irmã, Luiza. Quando a música foi lançada e estourou no mundo todo, ela ficava ouvindo o dia inteiro em casa. Era impossível não ser contagiado por aquela melodia marcante e pelo refrão explosivo. De tanto ouvir, acabei gostando e percebendo a genialidade da construção daquela canção.
Apesar de eu considerar a voz da Adele uma das mais bonitas e potentes que já ouvi na vida, eu não costumo ouvir tanto o trabalho dela no dia a dia. Nenhuma outra música dela me pegou tanto quanto essa. Até hoje, se estou no carro ou em qualquer lugar e a versão original começa a tocar aleatoriamente, eu não pulo. Foi essa conexão duradoura que me fez escolher esse tema pro meu novo cover.
O Desafio Técnico: A Transposição de Tom
Um dos maiores desafios quando um homem resolve fazer um cover de uma cantora como a Adele é a tonalidade. A música original de “Set Fire to the Rain” é em Ré menor (Dm). Pra voz dela, esse tom permite explorar aqueles graves aveludados e subir pros agudos com uma facilidade impressionante. Mas pra mim, cantar em Ré menor ficaria ou muito baixo e sem brilho, ou absurdamente alto e fora do meu alcance.
Depois de testar algumas possibilidades, decidi construir todo o arranjo em Sol menor (Gm). Essa transposição foi fundamental pra que a música casasse melhor com o timbre da minha voz, permitindo que eu entregasse a emoção necessária no refrão sem precisar “gritar” ou perder a sustentação das notas. Mudar o tom de uma música não é só apertar um botão; você precisa repensar como os instrumentos vão soar naquela nova região de frequência, e foi aí que a mágica da orquestração começou.
Orquestração Completa: Criando uma Parede Sonora
Assim como fiz no cover do Creed, decidi que “Set Fire to the Rain” merecia um arranjo grandioso. Nada de minimalismo aqui. Eu queria que o ouvinte sentisse o “fogo na chuva” através dos instrumentos. Usei exatamente o mesmo setup robusto pra criar essa experiência cinematográfica.
As Camadas de Cordas e Madeiras
A base emocional da música vem das cordas. Usei o Spitfire Audio BBC Symphony Orchestra pra mapear um conjunto que trouxesse drama e movimento:
- Violinos e Cellos: Usei 4 violinos e 2 cellos. Os violinos fazem aquelas linhas rápidas e tensas nas estrofes, enquanto os cellos dão o peso e a sustentação emocional que a música pede.
- Sopros (Flauta e Clarinete): Esses instrumentos trouxeram uma leveza necessária pra contrastar com o peso do refrão. Eles aparecem em momentos estratégicos pra dar uma textura mais orgânica e clássica ao arranjo.
Metais e Percussão: O Impacto do Refrão
Quando o refrão chega, a música precisa explodir. Pra isso, convoquei a seção de metais e a percussão erudita:
- Trompete e Trombone: Eles dão o brilho e a força necessária pra acompanhar o crescimento da voz. O trombone, especificamente, ajuda a preencher o espectro médio-grave, dando uma sensação de poder absurda.
- Tímpanos, Pratos e Xilofone: A percussão erudita é o que transforma um cover comum em algo épico. O tímpano marca as viradas com autoridade, e o xilofone adiciona um brilho percussivo que corta a mixagem de forma elegante.
O Piano e as Vozes de Apoio
O piano, usando o Hammersmith Free, é a âncora de “Set Fire to the Rain”. Ele começa a música de forma quase tímida e vai ganhando corpo conforme a orquestra entra. Além disso, gravei 4 vozes de apoio pra criar aquele coro que envolve a voz principal no refrão, dando uma profundidade que só as harmonias vocais conseguem proporcionar.
Equipamentos e Software: O Workflow do Estúdio SomBrio
Pra gerenciar esse arranjo denso em Sol menor, mantive meu fluxo de trabalho híbrido, que é o que me garante a melhor qualidade final hoje em dia.
Logic Pro X e Pro Tools: A Dupla Dinâmica
Como você já sabe, eu adoro a flexibilidade do Logic Pro X pra trabalhar com MIDI. Foi nele que eu “escrevi” toda a orquestra. Ter a facilidade de ajustar cada nota dos violinos e metais no Logic me poupa muito tempo e me permite ser mais criativo na hora de orquestrar.
Depois que as trilhas MIDI estavam perfeitas, exportei tudo pro Pro Tools. É no Pro Tools que a mágica da mixagem acontece. Usei o software pra fazer todo o processamento de áudio, criar as mandadas de efeito e garantir que a voz principal estivesse perfeitamente encaixada no meio daquela orquestra toda. Pra masterização final, o Pro Tools também foi a minha escolha, garantindo que o volume e a dinâmica estivessem no padrão profissional que eu busco.
Captação e Monitoramento de Alta Fidelidade
- Microfones: Usei o Audio-Technica AT4040 pra capturar todas as vozes (principal e apoios). Pra o violão Taylor 210e DLX, que serviu como guia rítmico, usei os AKG C430 em estéreo.
- Interface e Fones: A Presonus StudioLive 16.4.2 AI segurou a onda da conversão de áudio, e os fones Xtreme Ears In-Ear foram fundamentais pra eu conseguir ouvir cada detalhe das harmonias vocais durante a gravação.
Plugins de Processamento
Na mixagem dentro do Pro Tools, usei uma combinação de plugins da Waves e da IK Multimedia. Eles foram essenciais pra dar “cor” ao som, controlar a dinâmica e criar aquele espaço sonoro onde tudo parece estar no lugar certo. O uso de reverbs de alta qualidade ajudou a colocar a orquestra em um ambiente virtual que soa como uma grande sala de concerto.
A Arte da Releitura: Por Que Fazer Isso?
Fazer um cover da Adele é sempre um risco, porque a comparação com a original é inevitável. Mas a ideia de um cover no Estúdio SomBrio não é competir com o artista original, e sim oferecer uma nova perspectiva. Trazer “Set Fire to the Rain” pra um universo orquestral, adaptando o tom pra minha voz e adicionando camadas de instrumentos clássicos, é a minha forma de celebrar a boa música.
Essa música me lembra da minha irmã, da minha evolução como produtor e da importância de saber adaptar uma obra pra que ela soe autêntica na sua voz. Espero que você curta esse mergulho nos bastidores tanto quanto eu curti produzir cada segundo dessa faixa.
Perguntas Frequentes sobre o Cover de Set Fire to the Rain
Ficou com alguma dúvida sobre a produção? Aqui estão as respostas pras perguntas mais comuns que recebo sobre esse cover.
Por que você mudou o tom da música original?
Quais instrumentos compõem a orquestra desse cover?
Usei uma orquestra completa virtual: 4 violinos, 2 cellos, trompete, trombone, flauta, clarinete, xilofone, pratos e tímpanos, além do piano e das vozes de apoio. Por acaso tem o vídeo do arranjo completo no meu canal!
Como você organiza o trabalho entre o Logic Pro X e o Pro Tools?
Eu utilizo o Logic Pro X para toda a parte de criação MIDI e orquestração, pois acho o fluxo de trabalho mais rápido. Depois, exporto o áudio para o Pro Tools, onde faço a mixagem, o processamento com plugins da Waves e IK Multimedia, e a masterização final.
Qual a importância da sua irmã Luiza nessa produção?
A Luiza foi quem me apresentou a música. Ela ouvia “Set Fire to the Rain” o dia inteiro quando foi lançada, e de tanto ouvir, acabei criando uma conexão forte com a canção, o que me motivou a fazer esse cover anos depois.





