Hoje é um daqueles dias em que a música para de ser apenas som e vira uma ponte direta pro passado. Este dia 27 de maio carrega uma dualidade profunda pra mim. De um lado, celebramos os 27 anos do lançamento de “Só no Forevis“, o disco mais icônico d’os Raimundos e um marco absoluto do rock nacional. Do outro, hoje completa exatos 20 anos que meu pai se foi. E foi ele quem me deu esse CD Só no Forevis, um presente que moldou meu gosto musical e que, até hoje, me conecta com a memória dele de um jeito que poucas coisas conseguem.
Pra honrar esse legado e celebrar a história desse álbum Raimundos, decidi fazer algo diferente. Peguei a energia crua e irreverente de “A Mais Pedida“ e a transformei em um arranjo orquestral completo, produzido aqui no Estúdio SomBrio. É o rock como você nunca ouviu, com voz, violão e uma “orquestra” virtual que eu mesmo orquestrei. Neste post, vou te contar os bastidores dessa produção emocionante e como foi o desafio técnico de unir o punk/forró-core com a grandiosidade erudita. Vem comigo nessa homenagem!
Índice
ToggleA Importância do Álbum “Só no Forevis”
Falar de Raimundos é falar de uma época de ouro do rock brasileiro. O CD Raimundos So no Forevis (ou Raimundos Só no Forevis, como preferir) foi o ponto de virada na carreira da banda. Lançado em 1999, ele trouxe hits que grudaram na cabeça de todo mundo, como “Mulher de Fases” e, claro, “A Mais Pedida”. O disco conseguiu equilibrar o peso do hardcore com melodias extremamente pop e a malícia típica das letras do Rodolfo, criando uma sonoridade que ninguém tinha feito até então.
Para mim, o Só no Forevis é o disco definitivo da banda. Ele representa o auge criativo e comercial d’os Raimundos, mostrando que era possível ser pesado e tocar na rádio ao mesmo tempo. Ter ganho esse disco do meu pai faz com que cada audição seja uma viagem no tempo. Por isso, quando pensei em fazer um Raimundos acústico diferenciado, “A Mais Pedida” foi a escolha óbvia. É uma música que exala alegria, mas que no meu arranjo ganhou uma camada de solenidade e respeito.
Transformando Rock em Orquestra: O Desafio Técnico
Muitas vezes, quando as pessoas pensam em um Raimundos acústico, elas imaginam apenas um violão batido e a voz. Mas aqui no Estúdio SomBrio, eu gosto de ir além. Eu queria que “A Mais Pedida” tivesse a grandiosidade que a memória do meu pai merece. O desafio foi: como manter a energia da música original sem ter a bateria pesada e as guitarras distorcidas?
A resposta veio na orquestração. Eu substituí a parede de guitarras por uma seção de cordas e metais, e a batida frenética do punk por uma percussão erudita dramática. Transformar uma música feita pra pular em uma obra orquestral exige que você entenda a harmonia por trás da irreverência. Eu precisei desconstruir os riffs e transformá-los em linhas de violino e violoncelo, garantindo que a alma da canção continuasse ali, mas com uma roupagem totalmente nova.
A “Orquestra” Virtual do Estúdio SomBrio
Pra criar esse arranjo, eu usei o que há de melhor em tecnologia de instrumentos virtuais. Eu queria que a orquestra soasse real, orgânica e emocionante. Usei o Spitfire Audio BBC Symphony Orchestra pra mapear cada seção da nossa “orquestra” particular.
Cordas e Madeiras: A Emoção do Arranjo
- Violinos e Cellos: Usei 4 violinos e 2 cellos. As cordas fazem o papel que seria das guitarras base, criando um “colchão” sonoro rico e vibrante. No refrão, elas ganham um ataque mais agressivo pra simular a energia do rock.
- Flauta e Clarinete: Esses instrumentos de sopro trouxeram uma leveza que contrasta com o peso do violão. Eles aparecem em momentos estratégicos pra fazer contra-melodias que enriquecem a harmonia.
Metais e Percussão: O Peso do Rock Erudito
- Trompete e Trombone: Os metais são os responsáveis pelo “punch”. O trombone, especificamente, dá aquele grave poderoso que a gente sente no peito, substituindo a pressão que o baixo e o bumbo da bateria fariam na versão original.
- Tímpanos e Pratos: A percussão erudita trouxe o drama. As viradas de tímpano dão uma sensação cinematográfica pra música, elevando “A Mais Pedida” a um patamar de trilha sonora épica.
Equipamentos e Software: O DNA da Produção
Pra garantir que essa homenagem soasse perfeita, utilizei meu fluxo de trabalho híbrido entre o Logic Pro X e o Pro Tools. Cada software tem seu papel fundamental na entrega da qualidade profissional que eu busco aqui no estúdio.
Logic Pro X para MIDI e Pro Tools para Mixagem
Eu usei o Logic Pro X pra toda a parte de criação MIDI e orquestração. Eu adoro como o Logic facilita o trabalho com instrumentos virtuais, permitindo que eu ajuste cada articulação dos violinos pra que soem o mais realistas possível. Foi lá que eu “escrevi” a orquestra que acompanha o meu violão Taylor.
Depois, exportei tudo pro Pro Tools. É nele que a mágica da mixagem e masterização final acontece. O Pro Tools me dá a precisão necessária pra equilibrar a voz, o violão e a orquestra, garantindo que nenhum instrumento “atropele” o outro. Usei plugins da Waves e IK Multimedia pra dar o polimento final, criando um espaço sonoro coeso e emocionante.
Captação e Monitoramento
- Voz e Violão: Usei o microfone Audio-Technica AT4040 pra capturar a voz com toda a sua clareza e emoção. Pro violão Taylor 210e DLX, usei o setup estéreo com os AKG C430, garantindo que o som acústico fosse a base sólida de todo o arranjo.
- Interface: A Presonus StudioLive 16.4.2 AI foi a central de comando, garantindo a fidelidade da conversão de áudio durante todas as sessões de gravação.
- Monitoramento: Os fones Xtreme Ears In-Ear foram vitais pra eu monitorar cada detalhe da mixagem, garantindo que a emoção que eu sentia ao tocar fosse transmitida fielmente pro áudio final.
Uma Homenagem ao Meu Pai
Produzir este cover foi um processo terapêutico. Ao tocar os acordes de “A Mais Pedida”, eu não estava apenas revisitando um clássico d’os Raimundos; eu estava revisitando as memórias com meu pai. A música tem esse poder incrível de manter vivas as pessoas que já se foram. Cada nota da orquestra foi pensada como um presente pra ele, uma forma de dizer “obrigado por me ensinar a amar a música”.
Este dia 27 de maio, com seus 27 anos de Só no Forevis e 20 anos de saudade, agora ganha um novo significado pra mim através deste vídeo. Espero que, ao ouvir essa versão, você sinta a mesma energia e carinho que eu coloquei em cada detalhe da produção. O rock nacional é eterno, e as memórias que ele constrói em nossas vidas também são.
Perguntas Frequentes sobre o Cover de A Mais Pedida
Abaixo, respondo algumas dúvidas comuns sobre essa produção e sobre o legado do Raimundos.
Por que você escolheu "A Mais Pedida" para este cover?
Escolhi essa música por ser um dos maiores hits do álbum “Só no Forevis”, que completa 27 anos hoje. Além disso, esse disco foi um presente do meu pai, e como hoje faz 20 anos que ele se foi, achei que seria uma homenagem firmeza.
Como foi o processo de criar uma orquestra para uma música de rock?
O processo envolveu desconstruir a energia do punk e do hardcore e traduzi-la para instrumentos clássicos. Usei violinos, cellos, metais e percussão erudita para criar uma “parede sonora” que substituísse as guitarras e a bateria da versão original.
Quais softwares foram usados na produção?
Usei o Logic Pro X para toda a parte de criação MIDI e orquestração virtual. A mixagem, o processamento de áudio e a masterização final foram feitos no Pro Tools, utilizando plugins da Waves e IK Multimedia.
O que o álbum "Só no Forevis" representa para o rock nacional?
O “Só no Forevis” é considerado por muitos como o disco mais icônico d’os Raimundos. Ele consolidou a banda como um fenômeno de massas, misturando o peso do rock com ritmos brasileiros e melodias pop de um jeito único e inovador.





