Se você me acompanha por aqui, sabe que eu respiro produção musical e adoro compartilhar os bastidores dos meus covers. Mas hoje o papo é diferente. Hoje eu vou te contar a história de uma das músicas mais importantes da minha trajetória autoral: “Rainforest”, da minha banda Antemas. Essa faixa não é apenas uma música no Spotify; ela é o retrato de anos de persistência, mudanças de rota e parcerias que definiram quem eu sou como músico e produtor hoje.
Neste post, vou abrir o jogo sobre como essa música nasceu lá em 2017, quando o Antemas nem tinha esse nome, as dificuldades que enfrentei com a formação da banda e como o encontro com o Juliano Caserta mudou tudo. Além disso, vou te contar uma curiosidade de bastidor que pouca gente sabe: como o renomado produtor Thiago Bianchi nos convenceu a mudar completamente a estrutura da música pra deixar ela mais comercial e impactante. Prepara o café, porque essa história tem drama, superação e muita técnica de estúdio!
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ToggleA Semente em 2017: Da Derve ao Antemas
Tudo começou em 2016. Eu estava cansado de tocar músicas dos outros e senti aquela necessidade visceral de escrever minhas próprias obras. Foi aí que decidi começar minha jornada autoral. Em 2017, eu já estava compondo o que viria a ser o alicerce do nosso som. Naquela época, a banda ainda tinha o nome provisório de Derve. Foi nesse período que compus a primeira versão de “Rainforest”.
Engraçado pensar que, embora a gente já tocasse ela ao vivo em algumas ocasiões, a letra só foi realmente finalizada muito tempo depois. Ela só ganhou sua forma definitiva quando eu estava escrevendo todas as outras músicas do nosso álbum de estreia, o autointitulado do Antemas. É aquele processo de maturação que toda música precisa passar, sabe? Às vezes a melodia nasce primeiro, mas a mensagem precisa de tempo pra amadurecer junto com a gente.
O Ponto de Virada: A Chegada de Juliano Caserta
Em 2018, eu separei três músicas pra serem o nosso material de divulgação: “The Great Wall”, “Colored With Fire” e a nossa protagonista de hoje, que na época se chamava apenas “Forest”. Mas, como todo músico sabe, o caminho pro álbum de estreia raramente é uma linha reta. Durante as gravações, o baterista que estava com a gente na época não conseguiu dar conta da complexidade das faixas. Foi um momento de tensão, porque o projeto corria o risco de travar.
Foi aí que a história mudou. Eu mandei as músicas pro Juliano Caserta. O Juliano é meu amigo de longa data e, na época, ele morava no litoral. Por uma coincidência do destino (ou sorte minha), era perto do Dia das Mães e ele veio visitar a família aqui no interior. Ele ouviu o material, acreditou na força das canções e gravou as três músicas de uma vez. O desempenho dele foi tão absurdo que ele resolveu ingressar de vez no projeto. O Juliano está comigo até hoje, sendo o pilar rítmico do Antemas e do Estúdio SomBrio. Ter um parceiro que acredita na sua visão artística faz toda a diferença do mundo.
De “Forest” para “Rainforest”: A Mão do Produtor
Aqui entra a curiosidade que eu prometi. Quando chegamos ao Estúdio Fusão para trabalhar com o Thiago Bianchi (um dos produtores mais renomados do metal nacional), a música “Forest” tinha uma cara completamente diferente. Se você ouvisse aquela versão original hoje, talvez nem reconhecesse de primeira. Ela tinha uma estrutura muito mais “porrada”, com uma ponte diferente, sem solo de guitarra e um final bem agressivo, cheio de pedal duplo e palhetadas fortes.
Ele nos convenceu de que a música tinha um potencial melódico gigante que estava sendo escondido por aquela agressividade excessiva. Ele sugeriu mudar a estrutura pra deixar a música mais comercial — no bom sentido da palavra, claro. Ele propôs remover aquela ponte pesada, adicionar um solo de guitarra que trouxesse mais emoção e ajustar o dinamismo da faixa.
A Construção do Estúdio SomBrio
Outro capítulo importante dessa história foi a nossa insatisfação com os estúdios da região. Além dos valores cobrados, não sentíamos que teríamos a liberdade e o tempo necessários pra caprichar na pré-produção do jeito que o álbum exigia. Foi aí que tomamos uma decisão radical: construir nosso próprio estúdio. E assim nasceu o Estúdio SomBrio, na minha própria casa.
Ter o SomBrio nos permitiu finalizar cada detalhe do álbum com calma. Foi lá que preparamos tudo antes de irmos pro Estúdio Fusão finalizar com o Thiago Bianchi. Essa autonomia foi fundamental pra que “Rainforest” e as outras 12 faixas do álbum tivessem a qualidade que a gente sempre sonhou. O álbum é conceitual, um verdadeiro quebra-cabeça de 55 minutos que só se resolve na última peça, e o SomBrio foi o laboratório onde montamos cada parte desse jogo.
O Time de Peso na Produção
Pra coroar a produção de “Rainforest”, tivemos a honra de contar com músicos que são referências mundiais. Como o nosso baixista da época saiu logo após as gravações, convidamos ninguém menos que o Raphael Dafras pra gravar as linhas de baixo. O cara é um monstro e trouxe um peso e uma técnica que elevaram a música pra outro patamar.
Além dele, o talentosíssimo Pablo Greg criou e gravou todos os arranjos de orquestrações e teclados. Se você ouve aquela profundidade épica em “Rainforest”, pode ter certeza que tem o dedo do Pablo ali. E pra dar aquele tempero brasileiro que a gente tanto gosta, o Marcus César ficou a cargo da percussão. É um time de elite que também marcou presença no último trabalho do Edu Falaschi, o que mostra o nível de excelência que buscamos pro Antemas.
Equipamentos e Software: O DNA do Som
Tecnicamente, “Rainforest” seguiu o padrão de alta fidelidade que eu prezo aqui no estúdio. Usei o Logic Pro X pra toda a organização de MIDI e pré-produção das orquestras, aproveitando a fluidez que ele oferece pra criação. Já a mixagem e masterização final foram feitas no Pro Tools, onde utilizei plugins da Waves e IK Multimedia pra esculpir o som final.
- Captação: Usei o microfone Audio-Technica AT4040 pra voz e o setup estéreo com os AKG C430 pro violão Taylor 210e DLX nas partes acústicas.
- Interface: A Presonus StudioLive 16.4.2 AI foi a nossa central de comando durante todo o processo de gravação.
- Monitoramento: Os fones Xtreme Ears In-Ear foram essenciais pra que o Juliano e eu pudéssemos ouvir cada detalhe durante as sessões no Fusão e no SomBrio.
Conclusão: A Música é uma Jornada
Olhar pra “Rainforest” hoje me faz lembrar de cada obstáculo que superamos. Desde a saída de integrantes até a construção de um estúdio do zero, cada passo valeu a pena. A parceria com o Juliano Caserta e a visão do Thiago Bianchi foram os ingredientes secretos que transformaram uma ideia simples de 2017 em uma das faixas de maior orgulho da minha carreira.
Espero que essa história te inspire a não desistir dos seus projetos autorais, mesmo quando as coisas parecerem difíceis. A música é uma jornada de constante evolução, e “Rainforest” é a prova viva disso. Se você ainda não ouviu o álbum do Antemas, corre lá pra conferir esse quebra-cabeça musical completo!
Perguntas Frequentes sobre Rainforest e o Antemas
Abaixo, respondo algumas das dúvidas que sempre surgem sobre a história da banda e a produção dessa música.
Quem é Juliano Caserta e qual a importância dele na banda?
O Juliano Caserta é o baterista e parceiro de longa data do Dudlei Landim. Ele entrou na banda em um momento crítico em 2018, gravando as primeiras músicas de divulgação, e permanece como integrante fixo e pilar fundamental do Antemas até hoje.
Por que a música mudou de nome de "Forest" para "Rainforest"?
A mudança ocorreu durante o processo de finalização do álbum. Com as novas orquestrações e a estrutura mais comercial, o nome “Rainforest” passou a representar melhor a nova atmosfera e também é parte fundamental de toda a história contada em Antemas (2022).
Qual foi a influência do Thiago Bianchi na música?
Ele convenceu a banda a tornar a música mais comercial, removendo partes mais pesadas (como pedal duplo constante e palhetadas fortes no final) e adicionando um solo de guitarra, o que deu mais equilíbrio e potencial de rádio para a faixa (o que nunca aconteceu hahah).
O que é o Estúdio SomBrio?
O Estúdio SomBrio é o estúdio próprio construído por Dudlei Landim em sua casa. Ele nasceu da necessidade de ter um espaço com liberdade total para pré-produção e gravação, sem as limitações de tempo e custos dos estúdios comerciais da região.





