Se existe uma música que define o peso emocional do heavy metal dos anos 90, essa música é “The Unforgiven”, do Metallica. Lançada no icônico “Black Album”, ela trouxe uma sensibilidade que poucas bandas de metal conseguiam atingir na época. Pra mim, trazer essa obra pro Estúdio SomBrio foi um dos projetos mais da hora que já realizei. Eu queria algo que fosse além de um simples cover de violão; uma produção que capturasse a melancolia e a grandiosidade da versão original, mas com um toque pessoal, claro.
Neste post, vou te contar como foi o processo de criação desse arranjo orquestral completo, a escolha da escaleta pra fazer a melodia principal da introdução e, pela primeira vez no meu canal, o desafio técnico de produzir um vídeo em tela dividida, onde eu apareço duas vezes na mesma imagem. Se você curte entender como a gente une tecnologia de áudio e vídeo pra criar um resultado profissional, vem comigo que o papo de hoje é massa demais!
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ToggleA Alma de “The Unforgiven”: Melancolia e Poder
“The Unforgiven” é uma música que fala sobre a luta interna de um indivíduo contra as pressões da sociedade e a perda da própria essência. A dinâmica entre as estrofes pesadas e o refrão suave é um diferencial interessante nessa música do Metallica. Quando decidi fazer esse cover, eu sabia que precisava manter esse contraste, mas queria explorar texturas diferentes das guitarras distorcidas originais.
Minha ideia foi substituir o peso das guitarras por uma orquestra completa e a melodia icônica da introdução por um instrumento que trouxesse um ar mais rústico e melancólico. Foi aí que a escaleta entrou na jogada. O Metallica sempre gostou de experimentar com instrumentos exóticos — como o Hurdy Gurdy (sanfona de manivela) que eles usaram em “Low Man’s Lyric” — e eu senti que a escaleta poderia trazer esse mesmo tipo de atmosfera pro meu arranjo.
A Escolha da Escaleta: O Timbre Certo
Antes que me perguntem por que eu não usei o próprio violão, uma gaita ou até um violino pra fazer a melodia principal do começo de “The Unforgiven”, já digo que cheguei a testar várias dessas opções aqui no Estúdio SomBrio. Tentei fazer no violão, mas achei que faltava sustentação; tentei com a gaita, mas o som ficava muito “country” pro clima da música; tentei com vozes e flautas, mas nada parecia encaixar.
Quando peguei a escaleta e toquei as primeiras notas daquele tema clássico, eu soube na hora: era isso! A escaleta tem um timbre que fica entre um acordeão e um instrumento de sopro, com uma ponta de melancolia que casou perfeitamente com a letra da música. Ela trouxe uma textura que remete a algo antigo, quase medieval, respeitando a essência do que o Metallica costuma buscar em suas baladas mais profundas.
O Desafio do Vídeo: Duas Versões de Mim na Tela
Além da parte musical, este cover marcou uma estreia importante pra mim: foi o primeiro vídeo em que usei a técnica de tela dividida (split screen). Eu queria que o espectador visse o processo acontecendo, então decidi aparecer duas vezes na mesma imagem: de um lado tocando violão e cantando, e do outro tocando a escaleta.
Pode parecer simples, mas sincronizar duas performances diferentes em um vídeo exige um planejamento bem mais ou menos hahah. Eu precisei gravar a primeira guia com o violão e voz, seguindo o clique como sempre, pra depois gravar a parte da escaleta, acompanhando cada parte da música. Na edição, dentro do Final Cut Pro, o trabalho foi alinhar os quadros perfeitamente pra que não houvesse atrasos ou cortes estranhos. O resultado visual ficou bem bacana (na minha opinião) e ajudou a mostrar pro público como cada camada da música foi construída.
Orquestração Completa no Estúdio SomBrio
Pra dar o suporte necessário pra voz e pro violão, eu montei uma orquestra virtual de grande porte. Eu não queria que a música soasse “vazia”, então trabalhei exaustivamente nas seções orquestrais pra criar aquela parede sonora que o Metallica merece.
A Estrutura das Cordas e Sopros
Usei o Spitfire Audio BBC Symphony Orchestra pra mapear toda a parte clássica do arranjo. A ideia era criar um crescendo que acompanhasse a emoção da letra:
- Violinos e Cellos: Usei 4 violinos e 2 cellos. As cordas fazem o “colchão” harmônico nas estrofes e ganham força total no refrão, trazendo o drama que a música pede.
- Metais (Trompete e Trombone): Eles entram pra dar autoridade. O trombone, com seu timbre grave e poderoso, substituiu o peso que as guitarras distorcidas fariam no arranjo original.
- Madeiras (Flauta e Clarinete): Esses instrumentos trouxeram uma suavidade que ajudou a equilibrar o timbre mais “cortante” da escaleta, criando uma textura sonora rica e variada.
Percussão e Piano: O Ritmo da Emoção
A percussão erudita foi fundamental pra marcar as transições. Usei tímpanos, caixa, pratos e xilofone pra dar aquele impacto cinematográfico. O piano, através do plugin Hammersmith Free, serviu como o elo entre o violão e a orquestra, preenchendo as frequências médias com elegância.
Equipamentos e Software: O Workflow Profissional
Gerenciar tantas trilhas de áudio e ainda sincronizar com as duas imagens de vídeo exigiu o melhor do meu setup. O fluxo de trabalho entre o Logic e o Pro Tools foi, mais uma vez, o segredo do sucesso.
Logic Pro X para MIDI e Pro Tools para Mixagem
Eu usei o Logic Pro X pra toda a criação MIDI e orquestração. Eu prefiro o Logic pra essa parte criativa porque ele me permite ajustar as articulações da orquestra de forma muito intuitiva. Foi lá que eu “escrevi” cada nota da escaleta virtual (que usei pra reforçar a escaleta real) e dos metais.
Depois, levei tudo pro Pro Tools pra fazer o processamento de áudio pesado. É no Pro Tools que eu crio as mandadas, organizo os grupos e faço a mixagem e masterização final. Usei plugins da Waves e IK Multimedia pra dar o polimento necessário, garantindo que a voz principal, as vozes de apoio e a escaleta tivessem seu próprio espaço na mixagem sem embolar.
Captação e Monitoramento
- Voz e Escaleta (Audio-Technica AT4040): O AT4040 é um microfone extremamente versátil. Usei ele pra capturar a voz com clareza e também pra gravar a escaleta real, posicionando-o de forma a pegar o som direto das palhetas do instrumento.
- Violão (Taylor 210e DLX): Captei com os AKG C430 em estéreo pra manter a largura do som acústico.
- Interface (Presonus StudioLive 16.4.2 AI): A estabilidade da Presonus foi vital pra manter a latência baixa enquanto eu gravava a segunda performance (escaleta) em cima da primeira (violão/voz).
- Monitoramento (Xtreme Ears In-Ear): Pra garantir a sincronia perfeita entre as duas versões de mim mesmo, o monitoramento preciso nos fones da Xtreme Ears foi indispensável.
A Produção de Vídeo: Detalhes da Edição
Como mencionei, a edição no Final Cut Pro foi um capítulo à parte. Além de alinhar o áudio finalizado do Pro Tools com as imagens do iPad Air 5ª Geração, eu precisei trabalhar com recortes pra que as duas imagens parecessem estar no mesmo ambiente de forma natural. É um processo que exige paciência, mas que eleva muito a qualidade visual do conteúdo autoral.
A Arte da Releitura: O Respeito ao Metallica
Fazer um cover do Metallica é sempre uma responsabilidade enorme. “The Unforgiven” é uma música sagrada pra muitos fãs. Minha intenção com a escaleta e a orquestra foi mostrar que a boa música sobrevive a qualquer arranjo. Trazer essa roupagem orquestral, com um toque de “música de câmara” através da escaleta, foi a minha forma de homenagear a genialidade do James Hetfield e do Lars Ulrich.
Espero que você curta esse mergulho nos bastidores tanto quanto eu curti produzir cada detalhe. A música é uma jornada constante de aprendizado, e esse projeto de tela dividida foi mais um passo importante nessa caminhada aqui no Estúdio SomBrio.
Perguntas Frequentes sobre o Cover de The Unforgiven
Ficou com alguma dúvida sobre o uso da escaleta ou sobre o vídeo em tela dividida nesse cover da “The Unforgiven”? Aqui estão as respostas pras perguntas mais comuns.
Por que usar uma escaleta em uma música do Metallica?
A escaleta traz um timbre melancólico e rústico que combina muito bem com o clima de “The Unforgiven”. Ela substitui a melodia da introdução com uma textura que remete a instrumentos antigos, algo que o próprio Metallica já explorou com o Hurdy Gurdy em outras canções.
Como foi feito o efeito de tela dividida no vídeo?
Eu gravei duas performances separadas usando um iPad Air. Depois, no Final Cut Pro, alinhei os dois vídeos e usei máscaras de recorte para que as duas versões de mim mesmo aparecessem simultaneamente, garantindo a sincronia perfeita com o áudio.
Quais instrumentos compõem a orquestra desse arranjo?
O arranjo conta com 4 violinos, 2 cellos, trompete, trombone, flauta, clarinete, xilofone, caixa, pratos e tímpanos, além do piano virtual Hammersmith Free e do violão Taylor 210e DLX.
O Metallica realmente usa instrumentos diferentes como a escaleta?
O Metallica é conhecido por experimentar. Na música “Low Man’s Lyric”, por exemplo, eles usam o Hurdy Gurdy (sanfona de manivela). A escaleta segue essa mesma linha de buscar timbres inusitados para enriquecer a atmosfera da canção.





